E de dentro daquele quarto, esvoaçavam-se ideias, mas eu já estava farto de tanto escrever sobre minha própria cabeça e decidi olhar a janela. Ao olhar, eu percebi que enxergava uma rua, do século XXI, e toda a universalidade de escrever atemporalmente perdeu-se quando eu mencionei isso nesse texto. Já estava farto por não ser entendido por quem me lê?
Mas quando fui dar um tiro em minha cabeça, encontrei a arma disparada e meu corpo na cadeira, a visão era horrível e se morresse eu nem jantaria, estou com fome... Decidi viver. Deitei na cama, estou escrevendo isso com os braços pra cima segurando uma folha e lápis, é engraçado escrever sobre o presente, descrever o próprio cubículo de espaço no exato instante do tempo em que você esta fazendo isso: descrevendo-o.
Engraçado...Talvez você leitor tenha entendido isto acima, mas se eu comentasse sobre a forma como eu sinto tudo o que é matéria e energia em minha volta e que está contido no tal recipiente espaço-temporal chamado universo, provavelmente mais da metade dos leitores (não especializados) iriam ficar com a cabeça coçando. Isso já ta me deixando chateado, ouvir um monte de pergunta do tipo ''O que é isso? O que quer dizer com isso?’’ E observações como ''É... é legal esse texto’’ , ou seja, ''isso é uma merda, e num to entendendo nada’’ Cheguei numa decisão, acho melhor parar de ser surrealista... Voltei, 1 hora depois dessa ultima linha, e sabe... decidi voltar ao surrealismo.
Explico: Além de dizer um dane-se a todos os que não entendem o que escrevo, (eles não tem capacidade interpretativa com relação a mente, e a complexidade desta em descrições legíveis), eu também percebi que eu não estou sendo Surrealista até esse ponto do que escrevo, e nem em nenhum daqueles outros textos sobre mesas voadoras e presuntos em guerra, eu simplesmente estou escrevendo o que minha mente racionaliza, isso é surrealismo? Bem, dentro da minha mente esse é o realismo, e tem mais, esse mundo fora dela é que é fisicamente rígido e chato demais. É desestimulante a realidade só funcionar por um caminho de sequencia lógica, se eu bato numa caneca com água, a água derrama, e se bato 1000 vezes seguidas em 1000 canecas a água derrama de todas elas, absurdo isso! A realidade só ter um vetor de regras, não posso viver assim... Sabe do que preciso? Quântica! Eu preciso viver na essência de meu eu, preciso viver como aquilo que forma a minha massa cinzenta, as partículas em nível quântico, pois só vivendo isso (que insistem em chamar de surrealismo, mas na verdade trata-se de múltiplas opções de realidade) você ‘’vive o que sua mente pensa’’, eu quero viver dentro de minha mente exatamente como as próprias partículas que formam ela e o meu corpo, e com as regras (ou falta de regras) que as dita.
